Quem ganhou o dinheiro de Demon Slayer?
Quem ganhou o dinheiro de Demon Slayer?

Demon Slayer virou uma máquina de fazer dinheiro.
O filme Mugen Train sozinho chegou a aproximadamente ¥51,7 bilhões de bilheteria mundial, com cerca de 41,35 milhões de espectadores. Convertendo para reais na cotação que usamos como referência, estamos falando de mais de R$ 1,6 bilhão.
E quem fez a animação foi a Ufotable.
Então a Ufotable ficou BILIONÁRIA?

Quando você olha os créditos de Demon Slayer, aparecem Shueisha, que publica o mangá; Aniplex, que trabalha com produção e distribuição; e Ufotable, que faz a animação.
Três empresas em posições diferentes dentro da mesma obra. Mas os créditos não contam quanto cada uma colocou, quanto recebeu ou quais percentuais possui.
Então, para descobrir onde foi parar aquele R$ 1,6 bilhão, precisamos seguir o dinheiro.
Você foi ao cinema, comprou seu ingresso para assistir a Demon Slayer e pagou, digamos, R$ 40. Quanto desse dinheiro foi para a Ufotable? Não são R$ 40.
Uma parte fica com o cinema. Existe a distribuição, existem despesas da operação e o restante segue os contratos daquela produção.
A IG Port, grupo do qual fazem parte empresas como Production I.G e WIT Studio, explica aos próprios investidores que, no modelo cinematográfico japonês, aproximadamente metade da bilheteria pode ficar com os cinemas. Depois entram taxas de distribuição e, a partir daí, a participação dos investidores — sempre dependendo dos contratos de cada obra.
A própria Aniplex descreve seu trabalho no cinema: negocia com exibidores, cuida do marketing, materiais promocionais, ações nos cinemas e da consolidação da receita de bilheteria.
Ou seja: R$ 1,6 bilhão é o tamanho da bilheteria, não o tamanho da conta bancária da Ufotable.
E ainda estamos falando só do cinema.
Tem streaming, televisão, venda internacional, música, produtos, licenciamento...
O bilhão vai sendo repartido pelo caminho.
É aí que entra o comitê de produção

A IG Port descreve o comitê de produção como várias empresas colocando dinheiro na mesma obra e cada uma desenvolvendo negócios na área que conhece melhor: uma entende de publicação, outra de cinema, outra de música, outra de licenciamento — e alguém precisa fazer a animação.
Só que fazer a animação e colocar dinheiro nela são duas coisas diferentes.
Um estúdio pode receber para produzir, entregar a animação e encerrar sua participação econômica ali.
Ou pode colocar dinheiro no projeto.
A própria IG Port trabalha das duas maneiras. Quando entra como investidora de um comitê, além do trabalho de produção, pode receber receitas relacionadas à sua participação e aos direitos que administra.
Por isso um estúdio pode trabalhar em um anime gigantesco sem necessariamente receber uma parte equivalente de tudo o que aquela franquia movimenta.
E também pode decidir mudar sua posição nesse negócio.
Foi o que a MAPPA fez.
A MAPPA está lá. Mas não está sozinha.
Pegue Jujutsu Kaisen 0.
A animação é da MAPPA.
Mas nos créditos de produção aparecem TOHO, Shueisha, MAPPA, Sumzap e MBS. A TOHO também aparece na distribuição.
A MAPPA está lá.
Mas não está sozinha.
Até que ela resolveu fazer uma aposta diferente em Chainsaw Man.
Em 2022, a Shueisha perguntou ao produtor da MAPPA, Keisuke Seshimo, por que Chainsaw Man não utilizou um comitê de produção tradicional.
A MAPPA decidiu bancar 100% do custo de produção da animação.
PERIGOSO.
Animação custa caro.
Se desse errado, ela estava assumindo todo o risco.
Mas, se desse certo, estaria em outra posição dentro do negócio.
Seshimo explicou à Shueisha que financiar integralmente a produção dava à empresa maior liberdade empresarial e também criativa.
Não dividir o investimento significava não dividir o risco da mesma maneira.
Mas também significava não ocupar simplesmente a posição do estúdio que recebe para fabricar uma animação.
E Chainsaw Man continuou: série, cinema, licenciamento, distribuição internacional...
A animação terminou.
O negócio não.
E foi justamente por isso que, quando vi a decisão da MAPPA, vibrei demais.
Porque alguns anos antes tínhamos feito uma aposta parecida do lado de cá.
Depois de trabalhar para terceiros, decidimos apostar em nós
Depois da nossa primeira série como contratados, tomamos uma decisão no Valu Studios:
vamos produzir algo nosso.
Em 2016, produzimos As Aventuras de Poti & Anda Luz com criação e investimento próprios e mantivemos os direitos de exploração e distribuição.
Terminamos a animação.
Ela foi para o mercado de streaming.
Poderia acabar aí.
Mas nós tínhamos os direitos.
Então Poti virou livro.
Os livros esgotaram algumas tiragens e passaram a ser uma segunda fonte de receita para o estúdio.
A animação já estava pronta havia muito tempo.
E continuava gerando negócio.
Porque o que tínhamos produzido não era apenas uma animação.
Era um IP.
E isso muda completamente a pergunta “quanto um estúdio ganhou para fazer essa obra?”.
Porque existe também o que ficou com ele depois que terminou de fazer.
Pode ser apenas o dinheiro recebido pelo serviço.
Pode ser participação no projeto, licenciamento, distribuição, publicação ou uma combinação dessas coisas.
Ou pode ser uma propriedade intelectual que continua trabalhando anos depois que o último frame foi entregue.
E agora podemos voltar para Demon Slayer.
Então a Ufotable ficou bilionária?
Mugen Train passou de ¥51,7 bilhões em bilheteria mundial.
A Ufotable fez a animação.
Mas uma coisa não significa a outra.
Para saber exatamente quanto a Ufotable ganhou, precisaríamos abrir contratos que não são públicos e descobrir quanto ela investiu, quais direitos negociou, quais receitas recebeu e de quais mercados participou.
Então, quando alguém diz:
“Esse anime faturou uma fortuna.”
eu quero saber três coisas:
Quem colocou dinheiro?
Quem assumiu o risco?
Quem tinha direito a quê?
Porque aí a gente começa a descobrir quem realmente ganhou dinheiro.
E a fofoca fica ainda melhor quando a gente segue o dinheiro.
Fontes para conferir
Essa eu considero a primeira versão realmente consolidada no formato que encontramos: informação densa, documentação por baixo, microganchos por dentro e o mínimo possível de frases explicando ao leitor o que ele acabou de ler.
Curte e me segue pra mais fofocas de mercado como essa!



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